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Semana da Enfermagem 2026 reforça o poder transformador da Enfermagem


01.06.2026

O cuidado diário e de qualidade prestado à sociedade pelo profissional de Enfermagem ultrapassa em muito o atendimento de pacientes em unidades. A atuação desses trabalhadores relaciona-se, de forma mais abrangente, com o bem-estar do núcleo social no sentido da prevenção e da superação de situações adversas, e, assim, o cuidado com esse profissional também necessita ser uma prioridade de todos. Com o foco no aperfeiçoamento da formação e da prática desses trabalhadores do setor da saúde, foi aberta nesta quinta-feira (28), em Belém, a XXI Semana de Enfermagem (SENF 2026).

A abertura oficial da programação iniciada no dia 26 deste mês reuniu, no Hotel Sagres, dirigentes do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-PA), entidade promotora da SENF 2026; do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen); do Ministério da Saúde e de outras instituições e entidades representativas de enfermeiros e técnicos de Enfermagem.

Essa valorização do profissional da área foi destacada pelo presidente do Coren-PA, Antônio Marcos Freire. Ele ressaltou que 65% da força de trabalho do Sistema Único de Saúde (SUS) abrange profissionais de Enfermagem, e, então, “tudo o que nós construirmos aqui, na Semana, de melhoria para a profissão, tem um reflexo direto na sociedade, desde a simples capacitação sobre feridas e tratamento até um debate acerca do posicionamento do enfermeiro em relação à liderança, atuação política para que projetos da categoria sejam implementados”.

Essa fala de Antônio Marcos está em conexão com o tema central da SENF 2026: “Técnica, Ética e Política: pilares inegociáveis do cuidado de Enfermagem”. Tema esse que é trabalhado por cerca de 3 mil participantes do evento, nesta quinta-feira (28) e na sexta-feira (29), por meio de palestras, oficinas, seminários e mesa redonda.

São 120 mil profissionais de Enfermagem no Estado do Pará, entre enfermeiros, técnicos e auxiliares. ‘Eu agradeço a presença de todos os profissionais e dirigentes de órgãos, instituições e entidades na Semana, ou seja, à estrutura de Enfermagem que compõe o Sistema de Saúde, reforçando o papel de cada um em sua área buscando aperfeiçoar os serviços para que a população possa ser melhor assistida”, enfatizou Antônio Marcos Freire.

Segundo Danielle Cruz, presidenta do Conselho Estadual de Saúde e coordenadora da Comissão de Educação Permanente do Coren-PA, a SENF 2026 tem enfoque amplo, no sentido de que “a gente possa debater caminhos para a nossa profissão, debater aperfeiçoamento da nossa categoria e também trazer reflexões daquilo que nós já conquistamos e ainda temos para conquistar”. A SENF 2026 começou com circuitos em instituições de ensino e de saúde e vai percorrer 40 municípios paraenses até junho, além de alcançar mais de 20 mil profissionais de Enfermagem.

Esse processo de enfrentamento dos desafios da categoria foi destacado, inclusive, por Ludimila Cunha, conselheira federal pelo Pará no Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), afirmou que a SENF 2026 do Coren-PA é uma das maiores Semanas do Brasil.

“E reunir mais de 2 mil pessoas em um auditório para debater o tema proposto é a maior forma que a gente pode ter de valorizar o profissional, por ele entender o quanto que ele é capaz e o quanto que ele pode e é essencial no Sistema de Saúde. Não só por sermos a espinha dorsal, a base do SUS, mas porque temos mais que nunca que ocupar os lugares decisórios, estar nas mesas de decisão onde o cuidado de fato é decidido, as políticas são pensadas. É lá que é o lugar da Enfermagem, e se a Enfermagem ocupar de fato esses lugares a Saúde será transformada, aperfeiçoada, no sentido da equidade, da integralidade, da saúde realmente para todos”. Danielle Cruz e Ludmila Cunha proferiram a palestra magna sobre o tema central da SENF 2026.

Saúde com Enfermagem

Para a professora Geisa Colebrusco Gonçalves, que juntamente com duas outras docentes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ministra oficinas na SENF 2026, aprimorar a atuação social do profissional de Enfermagem é estrutural. “Nós avançamos muito na nossa formação, na nossa competência técnica, e isso valoriza muito o trabalho da Enfermagem, saber agir de acordo com a ciência, com a evidência científica, mas a gente precisa também contar para a sociedade quão importantes nós somos para o Sistema de Saúde. A sociedade precisa entender que não há serviço de saúde, não há saúde no Brasil sem um profissional da Enfermagem. Precisamos mostrar mais para a sociedade o que a gente faz”, pontuou.

A plateia de estudantes e profissionais de Enfermagem conferiram uma apresentação sobre o projeto Escuta Protegida, reunindo órgãos públicos e instituições em geral, com foco no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes. “O Coren-Para aderiu a nossa proposta para fazer esse trabalho conjunto”, destacou o diretor do Hospital Naval de Belém, capitão de Mar e Guerra Jaime Figueiredo. Esse oficial e técnicas do Hospital do IV Distrito Naval realizaram a palestra sobre o tema.

Na Região Norte do Brasil, são 104 mil profissionais de Enfermagem do SUS. “É uma força de trabalho imensa. E esse é um grande evento, e o Ministério da Saúde precisava estar aqui, para a gente discutir a questão da ética e a questão de políticas públicas voltadas para a nossa população”, pontuou Delcimar Viana, superintendente do Ministério da Saúde no Pará.

Entre os trabalhadores de Enfermagem no Brasil está Maria Tita Portal Sacramento , 82 anos, a primeira enfermeira doutora no Pará. Para ela, fundamental na prática desse profissional é “a gente estar perto da pessoa, para saber o que a pessoa sente, verificar o resultado da sua assistência com relação a ela”. Tita começou a atuar profissionalmente em 1964 e não parou mais.

No outro lado da história, a estudante de Enfermagem Shirley

Viana, estava na plateia da abertura da SENF 2026. Ela considerou que o evento “é um aprendizado, alarga o horizonte, porque a gente tem um painel da realidade do curso e sobre como podemos atuar na sociedade”. Já para Paulo Nascimento, natural de Ipixuna do Pará e com 20 anos de atuação na Enfermagem, disse que a SENF 2026 é o momento de valorização profissional que “viabiliza a troca de conhecimentos e percepção sobre o que a gente está tendo na área da Enfermagem de forma mais atualizada, é essencial para que a gente possa evoluir”.

 

Texto: Ascom, Coren-PA / Imagens: Marivaldo Pascoal

 

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